IPEA mostra a desigualdade de acesso à saúde no Brasil
O IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, apresentou nessa terça-feira (10), o Comunicado n° 129 - Presença do Estado no Brasil, divulgando dados sobre a desigualdade por estado de acesso à saúde, educação, cultura, entre outros.
Na área da saúde dois indicadores foram analisados: número de profissionais da área com formação superior (médicos e enfermeiros) e número de procedimentos aprovados pelo SUS (consultas e internações), por habitantes.
A média nacional de médicos para cada mil habitantes é de 3,1, sendo que regiões mais desenvolvidas – Sul e Sudeste – têm taxas de 3,7 médicos e enfermeiros. Norte e Nordeste apontam defasagem nesse número, respectivamente 1,9 e 2,4 profissionais qualificados para atuar com saúde.
O segundo indicador que analisa os procedimentos aprovados pelo SUS, também apresenta diferença entre os estados, porém a média de consultas por habitante, em todas as regiões, se aproxima de 2,6. As regiões Sul e Sudeste têm menos consultas aprovadas por médico (por habitante) do que a média nacional, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste, nesse quesito, se superam.
A menor incidência de internações nas regiões Sul e Sudeste deve-se a melhor oferta de médicos e melhor distribuição de pontos de atendimento, visto que em outras regiões a população procura e se desloca mais em busca de atendimento especializado.
O comunicado afirma que “quando apurada a média de internações por médico por 100 habitantes as diferenças regionais voltam ao padrão apontado inicialmente, em que as regiões Sul e Sudeste apresentam médias inferiores à nacional, enquanto as demais regiões vão superá-la.”.
Segundo a pesquisa, são 330.641 leitos de internação disponíveis para a população pelo SUS no Brasil.
A presença do Estado na área da saúde é desigual. Regiões menos desenvolvidas têm menos profissionais qualificados e menor número de leitos disponíveis para internação. Conclui o IPEA.
Carlos Roberto Goytacaz Rocha, presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná diz que “a falta de interesse dos médicos em trabalhar no interior ou em outras regiões se deve, em parte, aos baixos salários pagos pelo sistema público e às deficiências de estrutura do sistema, tanto na parte de exames como de equipe. O número excessivo de pessoas a serem atendidas também prejudica muito o trabalho do profissional em locais onde há poucos médicos”.
Para quem sempre está se atualizando, o curso online de Vigilância Sanitária para Farmacêuticos pode ser uma ideia de aprimoramento.
Fontes: Jornal de Londrina , IPEA, Ministério da Saúde
