Cuidados paliativos vão além da assistência ao paciente terminal

21/09/2012

Especialistas em saúde, que atuam com pacientes terminais, estão se mobilizando para que o Governo desenvolva uma política pública para melhorar a qualidade de vida dos pacientes em iminência de morte.
 
Conforme Dalva Yukie Matsumoto, diretora da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, falta formação de profissionais que saibam amenizar a dor que é predominante em pacientes terminais no Brasil, "A grande maioria dos médicos não tem formação para tratar de dor, não sabe prescrever uma morfina, um opioide [substâncias naturais ou sintéticas derivadas do ópio] de forma adequada. Existe um tabu por acharem que morfina é para quem está morrendo. O mito é reforçado pelo mau uso. Esse é um grande desafio para os médicos paliativistas".
 
Segundo pesquisa publicada na revista inglesa The Economist, em 2010, o Brasil é o 38° país no ranking de 40 países quando o assunto se refere à qualidade de morte, estando apenas na frente de Uganda e Índia. O Reino Unido - local onde a qualidade do óbito é discutida há cerca de 60 anos - aparece em primeiro lugar.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a área de cuidados paliativos uma abordagem de promoção da qualidade de vida para cada paciente que sofra de qualquer doença que ameace sua vida. No Brasil, essa área está quase que estritamente relacionada a pacientes terminais, em sua maioria, com câncer, porém, para a OMS a abordagem não deve ser restrita a esses clientes e sim abranger também pacientes que são diagnosticados com doenças crônicas e até, vítimas de acidentes.
 
Os cuidados paliativos envolvem a atuação da equipe formada por médicos, profissionais de enfermagem, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, que dedicam atenção às dores físicas e emocionais desses pacientes. Além da assistência ao paciente, os cuidados também devem abranger a família. Esse trabalho ajudará para que todo o processo seja aceito com naturalidade e com o menor sofrimento possível.
 
Segundo Hélio Bergo, chefe do Núcleo de Cuidados Paliativos da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, "tudo isso tem que se estender para a família entender que quando alguém adoece todo o núcleo familiar adoece junto e, se eu não cuido dessa família, que também adoece não só emocionalmente, mas às vezes fisicamente, eu não estou oferecendo esse atendimento global efetivo e extensivo para todos os componentes para esse núcleo familiar e afetivo. Uma vez que há cuidados paliativos, a qualidade de morte melhora sensivelmente. Morrer, nós vamos morrer de qualquer jeito. Morrer de uma doença crônica em sofrimento é algo triste, inadmissível. Os cuidados paliativos cumprem essa missão de melhorar a qualidade de morte", completa Hélio Bergo.